O futuro de quem constrói nossas cidades

Quem constrói uma cidade também precisa enxergar um futuro para si.

A construção civil ergue casas, edifícios, hospitais, escolas e transforma paisagens. Mas, para continuar crescendo, o setor precisa construir algo que não aparece nas plantas nem nos canteiros: uma perspectiva clara de crescimento profissional para o trabalhador.

Esse é o propósito das Trilhas Profissionais da Construção, uma das mais importantes iniciativas de valorização e modernização das relações de trabalho do setor.

Há anos, a construção enfrenta a escassez de mão de obra qualificada. Embora tenha evoluído tecnologicamente, o setor ainda encontra dificuldades para atrair jovens, reter profissionais e oferecer, em muitas empresas, caminhos claros de ascensão.

Para buscar novos trabalhadores precisamos criar oportunidades para que, quem ingressa na construção, possa aprender, evoluir e enxergar até onde pode chegar.

É justamente aí que está a força das Trilhas Profissionais.

O programa, desenvolvido pelo SindusCon-SP em parceria com Fiesp, Senai-SP, Sintracon-SP e Feticom-SP, estabelece sete trilhas de carreira e sete níveis de evolução profissional, considerando qualificação, experiência e certificação.

Na prática, o trabalhador passará a compreender onde se encontra e quais caminhos deverá percorrer para assumir novas responsabilidades. Um “auxiliar”, por exemplo, poderá evoluir gradualmente dentro do segmento, ampliando suas competências até alcançar funções de maior responsabilidade e de remuneração, como a de “mestre de obras”.

É uma mudança importante porque transforma um emprego em uma perspectiva concreta de carreira, crescimento e futuro.

A formação vivenciará a realidade dos canteiros, com participação das empresas e da estrutura do Senai-SP. Os trabalhadores farão cursos com duração de seis meses, abordando competências técnicas, liderança, gestão de equipes e habilidades comportamentais, com certificação ao final.

Até as denominações das profissões acompanharão essa transformação. Funções tradicionais serão modernizadas para refletir as competências exercidas. O “servente”, por exemplo, poderá passar a ser denominado “auxiliar de construtor civil”, o “pedreiro de “oficial de construção” e o “encanador” de “instalador hidráulico”. O SindusCon-SP também atuará pela atualização dessas nomenclaturas na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho.

Não se trata apenas de mudar nomes. Trata-se de reconhecer a evolução da construção e valorizar quem a torna possível.

O lançamento será em 2 de setembro, na Fiesp, em São Paulo. Depois, o Road Show percorrerá o Estado e, em 15 de setembro, São José do Rio Preto receberá a apresentação no auditório do Senai.

O projeto-piloto envolverá 10 construtoras e 20 empreiteiras durante 12 meses. Consolidado o modelo, a expectativa é expandi-lo para todo o país em 2027, por meio da CBIC.

Porque o maior patrimônio de uma obra não é apenas aquilo que ela entrega. É também o futuro que ajuda a construir para quem constrói nossas cidades.

Rafael Luis Coelho

Diretor Regional do SindusCon-SP e diretor da Citz Desenvolvimento Imobiliário

rafael.coelho@citz.co

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